quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aumentaram os recursos da educação em 2010.


Aumentamos consideravelmente os recursos repassados para a educação municipal pelo FNDE de 2009 para 2010. Os recursos são vinculados ao número de alunos e a gestão municipal. Para se ter uma ideia, os recursos repassados ao município até Junho de 2010 para merenda escolar foram 84% maior do que recebemos em 2009. No transporte escolar conseguimos um aumento de 104% dos recursos, apesar de gastarmos muito mais com as 54 rotas. Em 2009, recebemos recursos que eram reflexo da gestão de 2008, por isso a prefeitura teve que fazer um enorme sacrifício para complementar a merenda das escolas e CEIM's atendidos. Os recursos atuais também não são suficientes para atender a demanda das escolas e creches, mas já aliviou o caixa da prefeitura porque estamos recebendo quase o dobro de repasses do ano passado, graças a gestão realizada em 2009. A merenda está com uma qualidade melhor e uma quantidade muito maior do que os anos anteriores. Toda escola que visito faço questão de ir até a cozinha e perguntar diretamente à cantineira sobre a merenda. Sempre ouço elogios. Estive também no almoxarifado acompanhando a gestão de estoques e entregas e fiquei muito satisfeito em ver que está mais organizado do que o ano passado. Um funcionário simples do almoxarifado ao ser questionado sobre a merenda nas escolas cunhou a seguinte frase: "Antes a gente entregava os legumes e frutas de Kombi, hoje só de caminhão."
O melhor é saber que todos os legumes e frutas são comprados diretamente das associações dos produtores rurais da região. Adquirimos produtos frescos, de qualidade, a um preço mais em conta. Além disso, ainda ajudamos a fortalecer a agricultura da cidade. Simples, quando uma ação gera benefícios para todas as partes. Segundo os relatórios do FNDE, até Junho de 2009 havíamos recebido R$ 87.574 para merenda escolar e gastávamos uma média de R$ 47.000 por mês, ou seja, muito mais do que recebíamos. Este ano, já recebemos R$ 161.424,00 e conseguimos comprar a mesma quantidade com um valor menor mensal. De qualquer forma, os números demonstram avanço na gestão da merenda escolar, por isso Caratinga foi inscrita este ano no prêmio de gestão eficiente do governo federal. Os dados que apresento aqui no blog estão disponíveis para todos que quiserem conferir na página do FNDE. Embora precise investir muito mais, este ano vamos atingir a marca de ter conseguido realizar o maior investimento em educação que Caratinga já teve. Pela primeira vez nos últimos 5 anos conseguimos aumentar o número de alunos da rede municipal, reflexo de investimento e dedicação dos servidores da educação. Infelizmente, algumas pessoas preferem se divertir com as picuinhas e falatório raso, que não tem como objetivo enfrentar as raízes dos problemas que existem na educação. Somente com mais recursos poderemos melhorar a educação e para isso é necessário projetos, gestão e acompanhamento. Isso é o que procuramos fazer.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Novo modelo pedagógico


A educação básica brasileira urge por um novo modelo pedagógico que envolva mais os alunos com o aprendizado. Não é uma tarefa fácil e dentro das dimensões e dos desafios do nosso município, conseguimos ter a noção de que esta tarefa não é nada simples. Mudança requer alteração de um estado confortável rumo a um caminho de incertezas, isso atordoa qualquer ser humano em qualquer atividade profissional ou pessoal. Por que temos de repetir antigas fórmulas e fazer sempre da mesma maneira? Qual o risco de inovar e experimentar novas abordagens pedagógicas? Por que não criar a partir das dificuldades que enfrentamos diariamente? A realidade está mudando rápido e necessita de disposição para novas perspectivas educacionais. Precisamos estudar mais e nos apropriar dos recursos da pedagogia, mas nada adiantará se nos acovardarmos e preferir a repetição que nos cega e nos robotiza diante dos desafios de aprendizado dos alunos. E a Coordenação Pedagógica, o que pode fazer neste contexto? Quais instrumentos, orientações e planejamentos podem interferir neste processo? Que tipo de contato humano gera a energia necessária para começar esta mudança e quais são as atitudes que precisamos? Perguntas pertinentes.
Nós educadores precisamos mais do que denunciar as faltas, lacunas e injustiças. Chegou a hora de querer assumir o comando do processo educacional, sem esperar receitas a serem seguidas. Fazer aquilo que deve ser feito, não importando o desacreditar dos outros, mas sim o "sentido" que aquela ação ou atitude produz em nosso íntimo. Combina com o que acreditamos, então estamos no caminho certo? Incomoda, aí deve ser repensado. Precisamos deixar mais claro o que desejamos de cada professor, medir o esforço de cada um, premiar aqueles que merecem e orientar os que não conseguiram. Fazer a roda girar na direção certa, priorizando a interação humana entre aluno e professor, entre aluno e colegas, como um momento especial em que o conhecimento aflora e sedimenta. Acho que podemos mais na educação, principalmente no que diz respeito ao modelo pedagógico.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Semana Difícil


Esta semana foi difícil e pesada. Não é nada da Secretaria de Educação... No sábado passado fui comunicado de uma triste notícia. Havia falecido um primo-irmão e amigo de infância. Fomos criados juntos, éramos da mesma idade e foi doloroso ir ao enterro em Belo Horizonte e me juntar a dor dos amigos e da família. Ele era meu padrinho de casamento, eu também fui padrinho dele. Além disso, sou padrinho da sua filhinha de 4 anos. O Kal, como era conhecido, tinha uma grande alegria e vivia a vida intensamente. Uma amizade de ouro. Era daqueles amigos que temos certeza de poder contar em qualquer situação. Refleti muito esses dias sobre o verdadeiro sentido da vida e o que realmente é importante. Cheguei a conclusão de que as vezes damos valor a coisas que não tem a menor importância e que deixamos de lado outras vezes coisas preciosas como as nossas amizades e a família. Fiquei meio abatido esta semana e muita gente confundiu as coisas e disseminaram até que eu estava saindo desanimado com a Secretaria. Estava triste com a perda de uma pessoa muito importante na minha vida, momento de luto. A educação é uma das poucas certezas que tenho na minha vida. É o que eu gosto de fazer e faço com prazer, por isso quero estar envolvido com a educação, em qualquer nível, até morrer. Minha motivação se renova a cada vez que entro em uma escola e percebo a importância da educação na vida das crianças ou quando vejo pessoas que vieram de baixo e com um curso superior começam a crescer e a transformar a sua realidade. A educação é uma paixão que tenho, independente de cargos ou funções.

Existe uma coisa que acontece comigo que não sei explicar. Quanto mais dificuldades vejo na educação municipal, mais problemas aparecem, mais eu fico motivado em mudar as coisas. Não sei de onde vem esta força, mas estou certo que ela é real. Hoje, visitei a Escola Maria do Carmo Ribeiro, conhecida por ter entre seus alunos muitas crianças em situação de risco social. Conversamos com a diretora sobre as dificuldades, ouvimos histórias inenarráveis que nos deixam assustados. Começamos a pensar em um trabalho direcionado para alunos com dificuldade de aprendizagem e chegamos a conclusão de que faltava um lugar. O Bairro não possuía um espaço para este trabalho, ao contrário dos Programas de Educação Integrada do Barquinho Amarelo com o espaço do Chitão e o Geraldo Marques Cevidanes com o SESI. Mas precisávamos pelo menos de uma sala para o contra turno, pois podíamos desenvolver as outras atividades na praça. Chegou alguém e falou da igreja. Fomos ver o local e fiquei entusiasmado com a possibilidade. E assim as dificuldades vão se transformando em possibilidades. Porque difícil mesmo não é vencer os desafios da realidade educacional, difícil é perder um amigo, um filho e pai de família exemplar. Para isto, basta acostumar com a perda e assimilar a tristeza.


OBs: Estou diminuindo o ritmo de publicações e optado por manter atualizado o twitter. Para quem ainda não conhece, trata-se de um micro blog com postagens de até 140 caracteres. Acredito que é mais ágil e permite boa interação.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vivendo e aprendendo



Muitos dias sem postar no blog, mas continuo sempre atualizando o twitter, pois é mais prático e dinâmico.
Entretanto gostaria de fazer um pequeno relato sobre a experiência que vivenciei hoje na rede municipal. Ouvi da diretora da escola a sua grande preocupação em relação a um aluno específico que tem um comportamento agressivo e a família, mesmo recebendo intimações do conselho tutelar, não se mostrava comprometida em acompanhar o filho na escola. O aluno recentemente agrediu uma professora grávida e isso gerou uma enorme comoção na escola. Ouvindo o relato percebi que eu deveria conhecer mais esta realidade de perto, pois qualquer decisão que eu tomasse naquele momento seria precipitada. Resolvi tomar uma atitude heterodoxa que me tirou da rotina. Fui para dentro de sala e assisti aula na turma deste aluno como um mero ouvinte. A professora nem me apresentou, fui entrando e sentei na última carteira. Fiquei um pouco desconfortável, pois a cadeira era apropriada para criança, mas me ajeitei do jeito que pude. Em um primeiro momento confesso que somente lembrava dos meus tempos de criança, aquela visão do quadro verde lá de trás e o clima de sala de aula me transportaram no tempo, me vi aluno novamente e passou um filme na minha cabeça. Aos poucos fui sentindo a realidade e percebendo os alunos.
A professora fazia um cartaz com a ajuda de cinco ou seis alunos e os outros deveriam copiar a tarefa do quadro, digo deveriam porque ninguém ficava no lugar e os que ficavam estavam fazendo outra coisa, conversando, desenhando ou simplesmente brincando. Resolvi me aproximar de um aluno que copiava atentamente a tarefa do quadro. A tarefa trazia mais ou menos o seguinte enunciado: "Escreva as palavras abaixo e liste aquelas que possuem encontro consonantal. Perguntei ao aluno concentrado se ele sabia me dizer o que era o tal encontro consonantal. Ele me respondeu rápido sem tirar os olhos do quadro: sei lá! Perguntei a outros alunos, sempre em voz baixa, mas obtive a mesma resposta. Comecei a entender porque a maioria demonstrava desinteresse. Fazer uma coisa que não faz o menor sentido sempre gera desinteresse, fica mecanizado e sem graça. Como Rubem Alves preconizava: o conhecimento deve ser ferramenta ou brinquedo, ou seja, serve para resolver um problema ou serve para dar prazer e distração. O sentido da informação é que a torna parte do nosso arcabouço de conhecimento. Sem isso, é nada. Mas a aula foi fluindo e me concentrava no comportamento daquele aluno "problemático". Ele não era o mais bagunceiro da turma e estava concentrado em um desenho. Desenhava bem e era reconhecido pelos colegas por esta habilidade. Enquanto isso a professora ia fazendo o cartaz com os seus ajudante e de vez em quando parava para chamar atenção de um aluno mais barulhento. Fui me aproximando do aluno que chamarei de Pablo e pedi para ver o seu desenho. Ele me mostrou meio desconfiado um belo desenho de uma mulher com os seios de fora e deu uma risadinha. Ele me disse que a Tia havia pedido um desenho sobre abuso sexual. Ri por dentro. Os alunos começaram a se aproximar de mim, uns me perguntaram se eu era do conselho tutelar, outros ficavam me mostrando o desenho que faziam ou o livro que estavam lendo. Fui interagindo devagar e derepente me vi em uma roda de crianças. neste meio tempo, a tia acabou o cartaz e fez a turma toda ler: "Abuso sexual, comete quem deveria proteger". A Professora começou um diálogo sobre o assunto que considerei muito pertinente sobre quem poderia cometer o abuso, como poderia fazer e como as crianças poderiam se defender. Todos ficaram atentos, pois parecia uma informação útil, presenciei com tristeza alguns alunos que retorciam as mãos e nem queriam ouvir o assunto, embora não podemos tirar conclusões é visível que o assunto faz parte da realidade de muitas crianças. A professora resolveu dar uns minutos para que os alunos conversassem antes do sinal bater. Foi a melhor parte da aula para mim. Pude conversar com vários alunos e eles começaram a fazer desenhos e a me dar. O mais engraçado foi um desenho que recebi de uma aluna. Ela apontou e disse: desenhei você. Era um gordinho de óculo! Guardei com muito carinho. O Pablo, o tal aluno.... também me deu um desenho com traços muito bem feitos de um dinossauro. Alguns alunos perguntaram se eu voltaria amanhã.... pensei bem que eu poderia, mas não podia prometer. Muitas crianças espertas, vivas e bem falantes. Bateu o sinal e todos saíram correndo e eu fui acompanhando atrás.
Cheguei no pátio e refleti: acho que o problema deles não é tão grande assim. São crianças como as outras e gostam de serem estimuladas e de aprender. Entretanto o problema e o dilema dos educadores é enorme. Respeito ainda mais os nossos educadores por ver de perto a realidade, mas pude sentir o desafio que temos de como fazer com que os alunos estejam novamente motivados a aprender. Uma coisa é certa, não será com encontros consonantais. Muitas professoras demonstraram no Simpósio algumas experiências vitoriosas, mas somente unindo forças poderemos ver mais possibilidades. Agradeço a rede municipal por me permitir viver isto, saí mais humilde e esperançoso na educação, mesmo sabendo que muita coisa precisa mudar.Vivendo e aprendendo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Notícias



Tempo corrido, muitas coisas e estive meio afastado do blog. Tentarei fazer uma atualização.






Projeto Leitura Viva


Lançamos o projeto Leitura Viva no calçadão e aproveitamos para comemorar o dia nacional do livro infantil. A Maristela coordenou as atividades. Envolvemos diversas escolas nas apresentações e também a sociedade através das doações de livros. Conseguimos mais de dois mil livros para as bibliotecas municipais, uma grande contribuição. Instituímos o dia da leitura em que cada escola escolhe um dia da semana para que a leitura seja prioridade. A nossa nota de português já melhorou do primeiro para o segundo semestre de 2009, com este projeto acredito que podemos melhorar ainda mais. As bibliotecas estão sendo reestruturadas e ganhando mais acervo e estrutura. A consulta aos livros da biblioteca pública já está disponível on line. O Ziraldo já disse que "ler é mais importante do que estudar" e o Monteiro Lobato em frase célebre concluiu: "Um país se faz com homens e livros". Vamos colocar as nossas crianças para ler mais e ter prazer na leitura.


Escola Estadual Abandonada

No bairro Belverdere existe uma escola estadual com ótima estrutura, mas que está abandonada e sem finalidade. Fizemos contato com o estado diversas vezes, sem sucesso. Agora com o apoio da Rita conseguimos encaminhar documentação e em breve poderemos tomar posse do imóvel. Estive lá com o Prefeito e ele ficou entusiasmado em restaurar a escola e dar uma destinação educacional. Apesar do mato ao redor, a estrutura está excelente e será um importante espaço para fortalecimento da rede municipal, a ideia é fazer de lá uma escola modelo de tempo integral.


Combate a Evasão Escolar e Atos de Indisciplina


Com a participação do Ministério Público, Secretaria de Desenvolvimento Social, Polícia Militar, Polícia Civil, Conselho Tutelar, Conselho da Criança e Adolescente, Superintendência regional de Ensino e a Secretaria Municipal de Educação, foi lançado um programa de combate a evasão escolar e atos de insdisciplina nas escolas de Caratinga. Assinamos um termo de compromisso com a presença do Prefeito e o Promotor para que os alunos que faltem mais de cinco dias na escola seja notificado e tenha acompanhamento do Conselho Tutelar, Polícia Militar, Assitentes Socais e MP para que possamos evitar que as crianças deixem as escolas. A participação dos pais é fundamental. No Brasil de cada 100 crianças que entram na escola somente 5 completam o ensino fundamental. Criança que sai da escola fica vulnerável a entrar para criminalidade. Todos juntos no combate a evasão escolar, um movimento que começou há mais de um ano e agora entra na fase de execução.




Passe Transporte

Através da mobilização dos estudantes, a participação da Câmara e Prefeitura Municipal, conseguimos viabilizar mais 100 passe transporte de 50% para os alunos do município. A Viação Rio Doce se comprometeu ainda a conceder 25% para os alunos que não se enquadrarem nos critérios de distribuição do passe transporte. Um grande avanço para os alunos que utilizam transporte público. Todos saíram ganhando!




Santo Antônio do Manhuaçu


Amanhã inauguraremos a restauração da Biblioteca Pública do Distrito e as novas instalações da Escola Municipal Colibri. Estive lá esta semana a e pude acompanhar o movimento que estamos conseguindo fazer. As crianças estarão muito melhor atendidas. O Rinaldo se empenhou muito para que pudéssemos inaugurar a Biblioteca e a Nova Escola.




Inclusão Digital

Já encaminhamos um modelo de Edital para licitarmos um projeto de inclusão digital nas escolas Municipais. Vários computadores novos chegaram e estamos instalando os laboratórios. Assim que concluir a licitação começaremos as aulas.

Alfabetização Nota 10


Estamos colocando em prática o maior programa de alfabetização do município dos últimos anos. Aumentamos as vagas do PBA de 200 para 1500 e agora incluímos também o programa estadual de alfabetização Nota 10. A Andreza acompanha a execução e deveremos entregar amanhã certificados e premiação para as escolas que captaram mais alunos. Já estamos alfabetizando três vezes mais alunos por ano.


Diários Informatizados

Segunda-feira vamos entregar os primeiro diários informatizados da rede municipal. Um avanço na gestão e no registro escolar das escolas. Agora todos os alunos estão cadastrados no sistema e em breve não existirá mais diários manuais que geram re-trabalho e possibilitam erros e demora no acesso a informação. O nosso registro escolar entra para era digital, orgulho para a rede municipal. Agradeço especialmente a Maria de Lourdes e as Secretárias das escolas.






sexta-feira, 9 de abril de 2010

Alfabetização Matemática





O Brasil tem um dos piores desempenho no ensino da Matemática mensurado pelo teste PISA (program for international student assessment ou traduzindo programa internacional de avaliação dos estudantes). Em um ranking com 56 países, o nosso país ocupa a 53 posição, ficando atrás de países como a Colômbia, Tunísia e Jordânia. Como se não bastasse o nosso desempenho pífio e vergonhoso, ainda estamos piores em relação as avaliações passadas. Os estudiosos apontam a metodologia do ensino de Matemática vigente e a falta de capacitação dos professores dentro de uma lógica que o conteúdo faça sentido para o aluno como as causas principais deste resultado.








"Há muito se discute a concepção tradicionalista de ensino e sua ênfase em uma Matemática excessivamente abstrata, formal, mecanizada, expositiva e descontextualizada. No entanto, ela constitui ainda a concepção adotada por boa parte dos professores, pais e pela sociedade de maneira geral, e domina, em grande parte, livros, programas e ações em sala de aula. Diante desta perspectiva, os alunos apresentam um bloqueio cada vez maior em relação ao conhecimento matemático."








Um primo meu que mora fora do país me enviou email dizendo desta preocupação sobre o ensino da matemática e citou inclusive que lá nos Estados Unidos os Indianos, Coreanos, Chineses e Japoneses que possuem tradição nas habilidades matemáticas estão conseguindo os melhores postos de trabalho. O raciocínio lógico é fruto do ensino da matemática. A tecnologia da informação que congrega as maiores oportunidades de crescimento do mercado é baseada na matemática. Até a música tem relação com a matemática. Por isso, decidimos implantar um programa de alfabetização da matemática na rede municipal. Temos especialistas que estão sintonizados com o que existe de mais novo na pedagogia do ensino da matemática, inclusive são chamados para ministrarem cursos em diversas cidades. Aproveitamos os nossos talentos para formular um programa de capacitação que possa transformar o aprendizado dos alunos em algo que faça sentido e se torne eficiente na sala de aula. Batizamos este programa de PROMAT que envolve os professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal. A nossa expectativa é de que possamos em Setembro realizar um seminário para que cada professor apresente a sua experiência de apresentação dos resultados. vamos acompanhar também, a partir da avaliação interna, como os alunos estão recebendo estas novas metodologias e qual o impacto no aprendizado. Acredito que reforçando a base podemos construir grandes coisas e a base da educação básica é o português e a matemática. Sem a base não podemos avançar. Com a base bem feita podemos ir muito além.












domingo, 4 de abril de 2010

Fabinho


Hoje foi sepultado no cemitério São João Batista um grande líder política da nossa cidade: Anselmo Bonifácio, mais conhecido como Fabinho. Todos concordam que ele foi um divisor de águas, como disse Humberto Luiz, a política pode ser dividida antes e depois dele. O seu carisma e sua personalidade única, às vezes folclórica, facilitava a comunicação com o povo. Sua mensagem era entendida pela massa e tinha uma sintonia profunda com a vontade popular. Tornou-se símbolo de um prefeito festeiro, tudo era motivo para foguete e festas. Ousado, mandou construir a maior fogueira de São João do estado. Tinha excelente visão de comunicação e inovou numerando as obras que inaugurava, todos gostavam de acompanhar a evolução. Meu pai participou da sua campanha histórica para prefeito em 82. Muitos duvidavam da sua vitória, mas meu pai sempre acreditava que a eleição do Fabinho simbolizava o ressurgimento da democracia e da vontade popular. Na época eu tinha 9 anos e gostava de acompanhar todos os comícios. Era o nosso programa de família nos fins de semana, minha mãe levava frango com farofa e a gente chegava cedo nos distritos, visitava as lideranças e participava dos comícios. Tinha orgulho de ouvir meu pai falar, mas também gostava de ver o Fabinho e o seu jeito teatral. Mesmo sendo criança, me sentia um participante da campanha, usava camisa, adesivos e pregava os cartazes no meu quarto. Era uma época que a política era feita sobretudo com paixão. Sentíamos irmanados naquele movimento e o Fabinho era o nosso líder, simbolizava o desejo de todos de mudança. O fato de ser alto, ter voz grossa e usar chapéu e adereços, e ainda um figurino único, fazia a imaginação das crianças confundi-lo com uma espécie de super herói. Ele se foi, mas deixou um legado. Nos deixou o exemplo de coragem, ousadia e alegria. Mostro que a mudança era possível e nos deu confiança para acreditar mais em nossa cidade. Encontrei com ele pouco antes de ser internado, me parou e fez questão de elogiar meu pai. Disse que era para eu seguir o exemplo, mas que fosse um pouco mais "ajuizado". Me deu um abraço fraterno e percebi que a admiração do menino de nove anos ainda estava presente, sem as fantasias de crianças (verdade), mas com o entendimento da sua representação para cidade e para a vida da minha família. Meu pai, ficou sabendo que ele, no leito do hospital, ao me ver na televisão havia dito que gostava de mim. Foi mais um motivo para que fossemos visitá-lo. Com meu pai fui ao hospital. Ele estava fraquinho e mal conseguia falar, mas não deixava de ser um herói, humano herói. Obrigado Fabinho!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Educação em evolução


Como podemos perceber o que está acontecendo na educação municipal? Somos treinados a perceber a tudo desde pequeno com a supremacia da visão, confiamos no que vemos em primeiro lugar. Entretanto, na educação o verdadeiro impacto muitas vezes não pode ser visto. Conseguimos ver construções novas e campanhas de publicidade, mas não podemos apenas com a visão perceber a melhoria do ensino, do projeto pedagógico, da capacitação de professores e do cuidado com as crianças na educação infantil. Não canso de repetir que a educação do município é um desafio constante e um trabalho que sempre será inconcluso porque a educação é assim, um processo contínuo e permanente. Neste um ano e dois meses, eu e a minha equipe procuramos evoluir o que estava posto.

Muitos já fizeram pela educação do município e ainda falta muita coisa para fazer, mas o que nos dá força para continuar a caminhada é justamente quando olhamos para trás. Quando chegamos, pouco mais de duas mil crianças eram transportadas pelo sistema de transporte escolar em 24 rotas, hoje são mais de quatro mil (4.217)alunos em 54 rotas. O que acontecia com essas duas mil crianças que antes não tinham acesso ao transporte escolar? Como era o dia a dia dos alunos que moravam distante da escola e tinham que ir a pé? Está certo que isto custa dinheiro, mas é inegável a evolução do que aconteceu. Carros novos, aprovados por todos critérios de segurança e contratados de forma legal fazem o transporte escolar hoje no município. E as creches? Tentem imaginar como funcionava uma creche sem coordenação pedagógica que pudesse orientar sobre o trabalho que era desenvolvido nas unidades educacionais, sem monitores com acesso a capacitação que trabalhavam oito horas por dia, sendo que cada um era responsável em média por mais de 13 crianças. Dá para imaginar? Hoje a rede aumentou em mais de 40% o número de monitores, portanto existem muito menos crianças por monitores o que significa cuidado maior. A média está entre oito e nove crianças por monitor e ainda reduzimos a carga horária diária porque entendemos que para ter mais qualidade devemos melhorar a condição de trabalho daqueles que são responsáveis por cuidar das nossas crianças, qualquer um sabe o quanto cuidar de criança nos exige paciência e dedicaÇão. A nova rotina pedagógica nas creches faz parte de um projeto de colocar a educação infantil em acordo com as diretrizes nacionais, um espaço não só para tomar conta de crianças, mas para desenvolver habilidades. Estas mudanças produzem resultados imediatos, mas somente iremos perceber os reais benefícios a longo prazo. Serão crianças que irão aprender mais rápido e se desenvolverem melhor em todos os sentidos. Aumentamos a merenda em 42% do que era distrubuído antes, então fico imaginando o que acontecia antes com esta falta. Impantamos pela primeria vez uma avaliação interna do aprendizado de português e matemática de todas as turmas da rede municipal, verificamos que o aprendizado, em média, melhorou mais do que 16% de um semestre para outro. Qualquer gestor sabe que somente é possível gerenciar o que se mede, como antes não tínhamos esta medida interna ficava difícil gerenciar os resultados pedagógicos. Como saber onde agir, o que corrigir e o que estava dando certo? Resultados pedagógico não se mede com beleza dos cartazes que enfeitam a escola ou das festas comemorativas, mas sim através do aprendizado efetivo dos alunos. Tenho certeza de que o nosso esforço se reverterá na melhoria do IDEB que está abaixo da média, regional estadual e nacional. Atualmente os professores tem três vezes mais horas de capacitação do que antes e a cada participação eles ganham um certificado. Investir em professores nunca é demais, mas triplicar cursos demonstra o quanto evoluímos. Não podemos deixar de dizer na própria modernização da gestão. Quando chegamos, nem na sala do gabinete do secretário havia computador. Imaginem a dificuldade de comunicação que existia em um mudo permeado pela internet e tecnologias digitais. Hoje, cada escola possui email próprio e a comunicação é muito mais ágil e eficiente. Além disso, todas secretarias de escolas foram informatizadas. Antes para conseguir a lista de alunos das escolas era um martírio. Chegavam listas manuais sem nenhuma confiabilidade. Cada hora me apresentavam números e informações diferentes. Hoje, de qualquer ponto de acesso a internet podemos consultar a lista de alunos que qualquer escola da rede municipal, conseguimos ter acesso rápido ao número de turmas, nome dos alunos, endereço, nome dos pais, rendimento escolar, etc. A rede municipal já vai começar a imprimir os diários informatizados. Já imaginou o trabalho que era fazer dos os registros de forma manual? Agora, eles poderão ser impressos direto do computador. Iniciamos a educação integrada e conseguimos ter centenas de crianças com atividades no contra turno, muitas delas vagavam pelas ruas e agora tem atividades recreativas e educativas. Professores que ganhavam quinhentos e trinta reais começaram a receber a remuneração mínima de setecentos e cinquenta reais, pode ainda ser pouco, mas muito melhor do que estava vigente. A campanha do analfabetismo zero conseguiu mais que triplicar o número de alunos que começaram a ler e escrever no município, ampliamos de 200 vagas para 1500 vagas no Programa Brasil Alfabetizado.

Enfim, essas coisas são difíceis de enxergar no dia a dia, mas educadores com sensibilidade percebem que a educação está evoluindo. Tenho consciência que muita coisa ainda precisa ser feita, muita coisa mesmo. Não somos melhores do que ninguém e também temos acertos e erros. Entretanto o que nos dá força e motivação para enfrentar os inúmeros desafios é quando olhamos para trás e enxergamos que a educação está avançando e evoluindo. Muitas pessoas preferem enxergar o que está faltando, o que é compreensível e necessário na gestão pública. Cada um pode direcionar o olhar para a direção que quiser. Eu prefiro mesclar o que falta com o que já foi feito para dar sentido ao nosso esforço. É importante ter olhar sobre o que falta, mas também sobre o que foi realizado. O que dá sentido a nossa vida é o que conseguimos produzir e na educação às vezes fica difícil ver a produção, daí a importância de falar, escrever e demonstrar o que estamos produzindo.

Boa Páscoa!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Talentos escondidos


A imagem que prevalece é de que na prefeitura existem somente pessoas "encostadas" que não gostam de trabalhar e que só sabem fazer politicagem no ambiente de trabalho. Existe ainda a crença de que não há competência técnica e gerencial dentre os servidores efetivos, muito menos existe sensibilidade social nos funcionários de carreira na administração pública.


Tenho conhecido muita gente que desmente estas afirmações e desmontam a crença estabelecida. Existe muita gente boa na prefeitura, quando digo "boa" não é no sentido de ser uma pessoa agradável de bom papo, mas sim de pessoa qualificada, com competência e visão da coisa pública. Existe um grupo selecto de pessoas que não pertecem a partidos, grupos políticos, ou a administrações que dão um exemplo de dedicação ao serviço público. Pessoas que zelam pela prefeitura e sentem indignados quando as coisas não são feitas corretamente, mas também vibram quando algo é feito dentro dos princípios de eficiência e sensibilidade social. Pena que estou falando de um grupo que poucas vezes aparece, alguns nunca tiveram a possibilidade de emitir a sua opinião. Enxergo também que eles compartilham a mesma visão, princípios e motivação, mas estão fragmentados, perdidos na estrutura. Sei que muitos dos que conheço, não conversam entre eles e, por isso, não sabem desta afinidade. Existem pessoas que com um pouco de espaço e valorização conseguem fazer muito melhor do que os melhores consultores de administração pública que existem, pois fazem o que fazem pelo prazer de ver o certo ser realizado. Gostam de trabalhar na Prefeitura e se fossem pensar no salário ou no ambiente de trabalho já teriam deixado o ofício em busca de uma carreira melhor, mas continuam firme, independente do momento ou circunstâncias. São pessoas de coração bom, com propósitos firmes e que servem em primeiro lugar à administração pública.

Pena que eles não são a maioria, mas não sabem a força que possuem. Afinal, como dizia o meu saudoso avô Rev. Uriel: "A força de um Homem não é física nem intelectual, a força de um homem está no seu caráter". Eles servem como inspiração a todos que acreditam que vale a pena servir a sua comunidade, independente do que aconteça. Muitas vezes é preciso ter força de remar contra a maré para se chegar aos objetivos e vejo nos bravos e fartos exemplos que temos na Prefeitura Municipal de Caratinga, que não importa a força da correnteza da falta de compromisso de alguns, ou interesse estritamente financista de outros que eles continuarão remando. Esta postagem é dedicada a todos os servidores públicos que fazem o seu serviço com dedicação e competência, conheço alguns e tenho certeza de que existem outros que ainda não conheço. O meu agradecimento sincero por fazer mais do que esperam que vocês façam. Mesmo que este esforço não seja reconhecido como deveria, saiba de que vale a pena fazer a diferença.

terça-feira, 16 de março de 2010

Educação: pensar grande


A educação entendida em seu sentido lato, como inerente à condição humana e essencial ao desenvolvimento das comunidades, está carecendo de resgatar o seu verdadeiro significado. Educação é uma profissão ou uma missão? Educação pertence a uma classe ou a todos? Qual educação que queremos para nossa cidade? O que precisa para mudar em relação ao que está posto? O que é qualidade na educação? O que influencia na motivação dos educadores? Como conseguir educadores mais qualificados? O que fazer para que os alunos gostem da escola? São questões importantes como estas que merecem ser discutidas com a profundidade. A educação é o que pode transformar a nossa realidade e fazer o desenvolvimento acontecer. Celso Furtado, um dos maiores pensadores brasileiros do último século, acreditava que um país não precisa passar pelo estágio de subdesenvolvimento para adquirir o status de país desenvolvido. O desenvolvimento somente seria possível com uma cultura que valorizasse a criatividade libertadora de um povo, ou seja, enquanto ficamos somente imitando outros países, importamos a lógica da inferioridade, mesmo que disfarçada. Quando assumimos a nossa identidade, nosso jeito de ser e, ainda, utilizamos a nossa inteligência e energia para resolver os nossos problemas com soluções próprias e criativas, ultrapassamos a fronteira da mesmice para anunciar caminhos que somente nós podemos construir. Todos os questionamentos precisam da reflexão dos educadores, sem querer importar soluções de fora. É muito comum que pensamentos "batidos"nos tornem automatizados e robotizados na hora de pensar a educação. Um dos maiores vícios em nosso meio, justamente pela carência histórica, é de enxergar somente o que está faltando. Falta estrutura, falta salário, falta alunos melhores, falta apoio da família, falta isso, falta aquilo... Falta mesmo (sem dúvida), mas esta não deve ser a única maneira de enxergar o que nos rodeia porque se ficamos somente olhando as lacunas e ou buracos não temos tempo de enxergar os milagres da educação. (igual aquleas pessoas que passam a vida se queixando e se esquecem de viver). Podemos gastar a nossa energia buscando soluções criativas para problemas antigos. As soluções estão ao nosso alcance e não estão somente na mão de especialistas e figurões que vivem em outra realidade. Quem pode desenvolver e melhor metodologia do aluno da zona rural do que uma professora da zona rural dedicada a criar novos modelos didáticos? Quem poderia descobrir o caminho para dar um salto na alfabetização do que as nossas alfabetizadoras? Quem pode encontrar o melhor modelo pedagógico das creches do que as nossas professoras da educação infantil? Agora, as soluções requerem energia e dedicação, compromisso com a tarefa que se coloca. Não me diga que isto não é feito porque o dinheiro não compensa, afinal qual seria o preço que pagamos por esta tentativa? Será que esta barreira que nos impede de criar não foi construída de forma imaginária por interesses que preferem deixar tudo como está para que não haja mudança nenhuma? A utopia faz parte daqueles que desejam da vida mais do que a monotonia diária. O alimento da alma é o ideal, o sentido da vida, o que nos torna humano, por isso vale a pena refletir: quais soluções podemos construir como educadores?

domingo, 7 de março de 2010

08 de março


O que seria da educação sem o traço feminino, sem a sabedoria da mulher, sem o dom nato de educadora das mães? A educação talvez não existisse sem a mulher, não é por acaso que ela está presente nas salas de aula, na direção de escolas, nas coordenações pedagógicas e na construção do conhecimento da pedagogia. Quem confiaria os filhos, nos primeiros anos de escolaridade, à alguém que não seja uma mulher. Não é machismo ou feminismo, faz parte da nossa intuição e da sabedoria da humanidade. Em qualquer cultura ou nação sempre a mulher foi designada para o papel de educadora primária. A nossa primeira educadora invariavelmente é uma mulher, afinal tateamos o mundo ao nascermos através da nossa mãe e dos seus sentidos. Antes de ser uma profissão, um ofício, a educação faz parte da natureza da mulher, porque ela educa naturalmente juntando sensibilidade e racionalidade. Hoje, 08 de maço, precisamos render a nossa homenagem sincera a todas as mulheres que mesmo não sendo professoras, são educadoras de vidas e colocam o amor como o principal instrumento para fazer acontecer o aprendizado. O amor delas nos faz ir além e sem ele, talvez não teríamos Einstein, Freud ou Paulo Freire. O amor da mulher, da mãe e da professora atingem o nosso ponto invisível e nos remete ao mundo do conhecimento e querer saber um pouco mais de tudo. As vezes fico sem entender porque criaram um dia para homenagear as mulheres, serve apenas para que reflitamos sobre o seu papel e a sua importância, mas todo dia é dia das mulheres, sem elas o mundo perderia a cor, o cheiro e o sentido. Seria um mundo sem graça e com certeza eu não gostaria de viver ali. Melhor com elas, melhor ainda com elas na educação. Viva a educação, viva as mulheres!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Aumentou o número de crianças atendidas nas Creches


A rede municipal está atendendo atualmente 1176 crianças nas Creches e nos CEIM'S (Centro de Educação Infantil), com isso atingimos o maior patamar dos últimos anos. A educação infantil tornou-se uma prioridade na medida em que definimos uma Coordenação Pedagógica específica e elaboramos rotinas de aprendizagem e um programa de qualificação dos monitores e professores que se dedicam às crianças atendidas através das Creches e Ceim's.
O fato de termos conseguido aumentar o número de crianças atendidas demonstra investimento nas nossas unidades com ampliação de pessoal e de espaços físicos, mas a grande conquista está na implantação de um novo modelo pedagógico que foi desenvolvido especialmente para as crianças de até 06 anos de idade. Pensar o aprendizado para esta faixa etária requer um estudo que leve em consideração novas abordagens e estratégias de ensino-aprendizagem.
Lancei o desafio de chegarmos em 2011 com mais de 1300 crianças atendidas. Precisamos trabalhar muito, mas a ideia de que precisamos atender a todas as crianças que necessitam faz parte da nova cultura da educação infantil. Mesmo quando falta vagas em uma unidade, as coordenadoras são orientadas a acompanhar o problema dos pais e encontrar outra unidade que possua vaga. Vamos monitorar mês a mês as vagas existentes para que possamos divulgar e compartilhar a informação com os monitores e coordenadores, assim estaremos sempre prontos a acolher mais crianças. Acredito que ainda precisaremos ampliar mais 1000 vagas nas Creches e Ceim para atender 100% das pessoas que necessitam. Acredito que dentro de 4 anos poderemos alcançar este objetivo, mas desde já começamos a ampliar um pouco a cada ano. Com mais crianças dentro de unidades escolares, estaremos garantindo o seu futuro. Vamos em frente!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Educadoras de Creches e CEIM mais qualificadas

Participei de uma qualificação de todas as educacoras e coordenadoras de Creches e Ceim's da rede municipal. Tive a dimensão do quanto é importante esses profissionais serem orientados e ter a possibilidade de ter acesso a informação relativo a saúde e o bem estar da criança. Muita coisa do que foi passado a elas, também foi um aprendizado para mim. Por exemplo, sabiam que uma criança deve fazer a escovação até 3 anos sem creme dental? Dicas úteis como esta tornam o nosso pessoal mais preparado e qualificado para cuidar e acompanhar as crianças. O conhecimento quando bem aplicado tem o poder de melhorar muito a qualidade de vida das pessoas.

Ainda que parar todas as Creches e Ceim's por um dia possa trazer transtornos para mães e pais, acredito que o benefício de contar com profissionais mais qualificados é compensador. Afinal são elas que ficam com as crianças e qualquer informação a mais pode fazer grande diferença na rotina pedagógica das unidades de educação infantil. Além disso, esses momentos estão previstos no calendário entregue aos pais e servem para refletir sobre o que foi feito e aprimorar os nossos serviços, além de possibilitar trocas de experiências e unificação do discurso pedagógico. Talvez o resultado deste trabalho não apareça tão facilmente, mas quem acompanha de perto sabe a diferença que as qualificações exercem na educação infantil. Afinal são 1176 crianças que serão beneficiadas diretamente com profissionais mais preparados para atendê-las.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Otimização do Transporte Escolar


Já tive oportunidade de postar no blog os avanços que alcançamos no transporte escolar: ampliação de 24 para 54 rotas, e de 2100 crianças transportadas para quase 4300. A maior ampliação do transporte escolar que Caratinga já assistiu. Não só ampliamos como melhoramos a qualidade. Antes existiam veículos com mais de 10 anos de uso atendendo as crianças, agora estabelecemos o limite de 05 anos e inspeção obrigatória de todos os requisitos de segurança, incluindo curso de transporte escolar dos motoristas. Muitas escolas estaduais aumentaram o número de alunos devido a esta expansão do transporte escolar e muitas crianças que estavam fora da escola estão agora estudando. Diminui a repetência e a evasão, aumentou a frequência nas aulas. Conquistas que o pessoal da zona rural sabe tão bem reconhecer.




Entretanto, sabemos que o dinheiro repassado pelo estado (cerca de R$ 280) aunais, não cobre as despesas em relação ao transporte dos alunos. O que não impede de esforçarmos para continuar atendendo as crianças e as escolas da zona rural. Todavia, torna-se nossa obrigação encontrar alternativas inteligentes para reduzir o gasto do dinheiro público, sem contudo diminuir o atendimento ao transporte escolar. A indicação técnica foi de substituir konbis por micro ônibus, na medida em que a capacidade de transporte de um micro ônibus (24) é mais de duas vezes o da kombi (9), portanto é possível com esta medida simples reduzir em 40% o valor pago e ainda evitando número excedente de alunos e oferecendo mais conforto aos alunos. A medida reduz o gatos do dinheiro público, mas pode contrariar motoristas que poderão ser dispensados. Estou convencido que não é porque contrariamos poucos que devemos deixar de fazer a coisa certa para beneficiar a todos. A mudança deve ser feita e acompanhada para que possamos fazer os ajustes necessários. O resultado final somente poderemos avaliar depois de um tempo. Em Patrocínio por exemplo, a comunidade reclamou que a estrada estava ruim e o micro ônibus tinha dificuldade de fazer a rota, enviamos imediatamente através da Secretaria de Obras máquinas para realizar o patrolamento, até porque melhor melhorar a estrada para o micro ônibus passar do que colocar kombi porque o trajeto é precário. Devemos olhar para frente e querer melhorar sempre. Gastando menos e atendendo melhor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nossa língua agradece



Iniciamos hoje a capacitação de 60 educadoras que vão conduzir o processo das olimpíadas da língua portuguesa nas escolas de Caratinga e região. Estive com a turma na parte da manhã e senti que era um grupo compromissado e atento. Considero o conhecimento da nossa língua condição necessária para o denvolvimento dos nossos alunos. Falar e escrever bem é uma tarefa exigida em qualquer área profissional, e em qualquer circunstância da vida, por isso estamos investindo para que a capacitação seja modelo na região. As olimpíadas podem desencadear diversas outras estratégias que aproximem os nossos alunos da língua portuguesa, principalmente com atividades pedagógicas que incentivem a produção. Como apontava John Dewey, filósofo da educação que influenciou grande parte da nova geração de educadores, o conhecimento se aprende fazendo, através do lema "learning by doing". As olimpíadas se configuram em uma estratégia de fazer com que todos alunos ponham a mão na massa, afinal só aprendemos quando fazemos. Incentivei às educadoras que criem uma onda de participação e envolvimento da comunidade escolar para levantar a bandeira de conduzirem seus alunos para o mundo da leitura e escrita. As olimpíadas podem ser vistas como apenas o começo.

Elas ficarão 04 dias discutindo novas abordagens e se capacitando para serem multiplicadoras. Parabéns a equipe organizadora da Secretaria Municipal de Educação. O compromisso da equipe garante a qualidade dos encontros. Boa Sorte a todos os participantes! A nossa língua agradece.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As salas de Santa Efigênia


Estive em Santa Efigênia no ano passado para ver como funcionava a Escola Municipal São Sebastião dos Santos Rosa. As crianças são espertas e carinhosas, a equipe me pareceu muito coesa e a Tereza Pontes, diretora, sempre animada e com um bom astral. Equipe afinada, bem dirigida, alunos interessados, mas havia um problema. Duas turmas estavam funcionando fora da escola em lugar totalmente inadequado para funcionar. Prefiro aqui nem citar os locais de funcionamento, pois traria vergonha para qualquer pessoa que se diz Caratinguense. As aulas eram prejudicadas e os alunos se sentiam discriminados. As crianças imploravam para as professoras: "Tia, quero ir para escola". Uma frase forte para qualquer educador escutar, principalmente vindo de um aluno que já estava estudanto. Ela queria ir para escola porque sentia que não fazia parte dela, já que estudava em um local fora da escola que ninguém poderia imaginar uma sala de aula. Prometi à Diretora que faria o possível para reverter a situação. Em parceria com a Silvana fizemos uma solicitação ao superintendência para construir uma sala de aula no terreno da escola estadual e a Rita atendeu prontamente. Fizemos o projeto e submetemos à Angelita que e o prefeito quando ficou sabendo da situação autorizou imediatamente o prosseguimento. O Rinaldo também me ajudou muito nesta fase do início das obras, enfim a construção está acontecendo.


Estive novamente em Santa Efigênia com o Rinaldo para acompanhar, a pedido do prefeito, a construção das salas. Está ficando ótimo! Salas amplas e arejadas, bem construídas com material de qualidade. Fiquei mais feliz ainda de ver as crianças vibrando com a construção. A escola, mesmo sendo do estado, agora já pode oferecer duas salas novas aos alunos da rede municipal. Escutei outro dia de um político que ações como essa não trazem votos, pois o distrito tem uma população pquena e não devíamos dar atenção. Discordo, a educação é sempre importante e não importa se isso traz votos ou não, mas sim se dormimos em paz com a nossa consciência de fazer o que deve ser feito. O prefeito tem demonstrado confiança no nosso trabalho e sensível para responder prontamente às necessidades da educação. Devemos inaugurar até o final do mês o novo espaço. Pequenos avanços com grande alegria!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Avaliação Interna


Qualquer livro de gestão enfatiza a necessidade de avaliar o que está acontecendo como condição básica para melhorar. Como podemos melhorar se não sabemos de onde partimos? Como saberemos se as medidas implementadas deram resultados? Por isso avaliar o que está sendo feito através de metodologia adequada é algo indispensável para quem deseja resultados . Na gestão educacional não é diferente, pois a avaliação se constitui etapa obrigatória em todos os níveis. não é por acaso que nos últimos anos os governos estadual e federal implementaram avaliações sistemáticas em todos o segmentos educacionais como a Prova Brasil, Proebe, Proalfa, Enem, Enade, dentre outros. Saber onde estão as deficiências e determinar um plano de ação para saná-las faz parte da evolução da educação. Com as avaliações podemos ter referência de como o nosso trabalho está interferindo na apredizagem dos alunos e melhorando a qualidade da educação.


Quando iniciamos nosso trabalho tínhamos disponíveis somente os dados das avaliações externas que, apesar de ajudarem, utilizava parâmetros gerais e não podíamos compreender com mais profundidade como estava o desenvolvimento. Necessitávamos de indicador próprio que fosse elaborado pela nossa equipe e que levasse em conta o nosso planejamento pedagógico. As coordenadoras pedagógicas aceitaram o desafio e definiu uma prova baseada na nossa matriz de referência incluindo Português e Matemática. Reunimos no início do ano para discutir os resultados e pudemos perceber que a educação está evoluindo. Somando todas as notas de todas as turmas e produzindo uma média percebemos que passamos de 52 pontos em português no primeiro semestre para 65 pontos no segundo semestre, já em Matemática passamos de 59 para 70 pontos. Aumentamos o rendimento dos alunos em média em 16%. Nosso objetivo é conseguir um aproveitamento mínimo de 70 pontos e a cada ano verificar onde será necessário um plano de intervenção apropriado e onde devemos manter o trabalho que está sendo realizado. Minha expectativa é de que consigamos melhorar o principal indicador que é o IDEB.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Esperança

Esperança é um sentimento peculiar aos brasileiros. Muitas vezes é isso que nos mantém fortes e motivados a continuar a caminhar. Paulo Freire costumava defender que a esperança deveria ser um verbo: "esperançar". Porque a esperança sem ação pode resultar em uma espera sem fim, sem sentido e vazia. A esperança necessita de movimentos que aproximem o que desejamos e sonhamos da cotidiana construção da realidade.

Este governo tem um sonho de ampliar a estrutura destinada a educação infantil e as creches. Este ano vamos atender mais de 1100 crianças nas creches, um recorde do município, mas infelizmente em alguns Centros de Educação Infantil Municipal ainda deparamos com lista de espera. Hoje conversando com o Frei Marcos, pessoa de sabedoria extraordinária e sensível aos problemas sociais da cidade. Nós dois concordamos que não podemos deixar que as crianças deixem de ser atendidas nas creches. Por outro lado, não podemos abrir mão da qualidade do atendimento colocando mais crianças do que comporta. Nossa missão é correr atrás para poder atender todas as solicitações que chegam à Secretaria de Educação. Uma grande dificuldade neste sentido é a falta de infraestrutura própria, pois a maioria dos imóveis são alugados.

Ano passado encaminhamos ao FNDE o projeto de pro infância destinado a construção de Creche para 200 crianças. Conseguimos local no Bairro Santa Cruz e mandamos a documentação. Não é fácil vencer a burocracia, eles exigiam terreno plano de 80m por 60m. Qualquer um sabe que encontrar um local do tamanho de um campo de futebol na cidade e de acesso fácil não é tarefa simples, mas demos conta. Agora ainda falta complementação do projeto e documentos adicionais, por isso o Prefeito me autorizou a ir pessoalmente em Brasília para resolver o assunto. Com isso cresce a minha esperança em ver a Creche do bairro Santa Cruz virar realidade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fundeb 2010

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação é a principal fonte de financiamento que dispõe a rede municipal de ensino. Com este fundo pagamos os professores e conseguimos fazer frente a manutenção das escolas. O montante é calculado levando em consideração o valor mínimo por aluno fixado pelo governo e multiplicado pelo número de alunos matriculados registrados no censo escolar vigente.
Através do gerenciamento das informações do censo escolar e do empenho das diretoras , conseguimos aumentar o número de alunos de 2009 em relação a 2008 o que, consequentemente, proporcionou um aumento do FUNDEB de 2010. Os recursos do fundo destinado para Caratinga aumentou em R$ 1.155.078,15 somando R$ 9.730.544,75 conforme divulgado no site do FNDE (http://www.fnde.gov.br/portal/index.php/fundeb-consultas/1728-matricula-coeficientes-de-distribuicao-de-recursos-e-receita-anual-prevista-por-estado-e-municipio-2010-).
Um avanço para educação, entretanto devemos admitir que embora os recursos tenham aumentado em relação ao ano anterior ainda não é suficiente para atender todas as demandas. Precisamos de muito mais recursos para elevar a educação municipal ao patamar que consideramos ideal. De qualquer forma compartilho a informação para demonstrar que estamos caminhando e melhorando.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Rumos da educação municipal para 2010


Não podemos reclamar do ano de 2009, foi um período de muito trabalho, desafios, aprendizados e vitórias. Fiz um balanço dos avanços me pautando pelo plano de governo do João Bosco divulgado na época da campanha eleitoral. Considerando os 20 pontos fixados como meta de governo na área da educação, 14 itens foram cumpridos integralmente ou parcialmente no primeiro ano de governo como ampliação do transporte escolar, reestruturação do projeto pedagógico das creches, ampliação da capacitação de professores, programas de educação integrada, projetos culturais, aumento do número de adultos alfabetizados, informatização das escolas, aumento salarial dos professores, dentre outros. Temos muito mais motivos para agradecer a Deus do que para pedir, mas isso não significa que não teremos grandes desafios e muito trabalho para 2010. A educação ainda precisa avançar muito e às vezes confesso que fico meio impaciente com o ritmo das coisas. Não que não estejamos avançando e trabalhando, mas na educação qualquer atraso transforma-se em tempo perdido e difícil de recuperar. Como recuperar o tempo de uma criança que estudou em uma escola com estrutura deficiente? Como recuperar o tempo de um professor sem condição de trabalho? Como recuperar o tempo de uma criança que está fora da escola ou não está aprendendo? Não é uma questão de procurar culpados, mas sim de enfrentar o problema com soluções eficientes que realmente possam transformar a realidade.


Neste momento deixo o ano que passou e começamos a olhar para frente, definindo os desafios que enfrentaremos e as estratégias que vamos traçar para atingir os objetivos. Estou consciente de que a máxima escrita no livro "Pequeno Príncipe" que diz: "(...) em todo começo reside o encanto" serve para nos fazer entender que seremos ainda mais cobrados neste ano. Natural que seja assim. Por isso, o momento requer de nós disciplina, foco, trabalho, inteligência e capacidade de realização. Precisamos ter a consciência de muitas vezes o resultado do trabalho aparece com o tempo e podemos contrariar muita gente ao perseguir os resultados que a sociedade tanto quer. Costumo não confundir a pressão percebida daqueles que muitas vezes expressam o seu descontentamento com a avaliação dos usuários das políticas públicas, ou seja, dos pais de alunos e da sociedade de uma maneira geral, pois estamos servindo uma cidade, sua população e não devemos deixar de implementar ações que podem desagradar alguns mas que tem o objetivo de servir a maioria.


Acredito que a educação municipal este ano precisa mais do que organização e gerenciamento, precisa de inovação e criatividade, necessitamos ser ousados para encontrar soluções para o que parece ser problemas insolúveis. Ter coragem de fazer diferente, sem a censura da política eleitoreira, sem a ansiedade que querer mostrar resultados a curto prazo, e com a determinação de quem quer fazer a diferença em uma área tão delicada como a educação. Ampliar os espaços da educação infantil, tratar a criança como um ser humano completo que necessita se desenvolver por inteiro. Permitir novas experiências de aprendizado às nossas crianças, desafiando-as a construir o seu conhecimento de uma maneira prazerosa sem ficar repetindo fórmulas do passado. Romper as barreiras e as amarras que nos seguram e elevar a educação em sua plenitude e ter orgulho de dizer que fazemos parte de um novo tempo.